Galeria Resistência Logótipo

Singulares

A exposição 'Singulares' apresenta o trabalho de sete joalheiros que abordam a joalharia de autor a partir de perspetivas distintas, enfatizando a singularidade de cada joia. A análise destas criações revela as suas motivações: a narração de histórias, a investigação de técnicas de manufatura, o aprofundamento no conhecimento dos materiais e a exploração da forma, evidenciando a diversidade de narrativas e significados inerentes nas joias que adornam o nosso quotidiano. Na reflexão sobre a joalharia de autor, evidencia-se o seu impacto na expressão da identidade individual. Contudo, a sua relevância estende-se para além, contribuindo para a preservação da herança cultural e tradicional da joalharia. Neste contexto, a combinação entre o antigo e o moderno não gera conflito, mas uma harmoniosa colaboração, que se manifesta tanto na mestria das técnicas de joalharia como na abordagem conceptual e estética das joias apresentadas.

Catarina iniciou a Catarina Nordeste Joalharia (CNJ) motivada pela paixão de criar e pelo desejo de explorar diversas técnicas de joalharia, um caminho enriquecido pela sua aprendizagem em Londres. Esta experiência internacional ampliou sua visão, refletindo-se nas peças únicas que confecciona, oscilando entre o minimalismo moderno e a complexidade orgânica, cada uma transmitindo sua intenção artística distinta.

"Raw Classics" de Catarina Nordeste celebra a fusão do tradicional com o moderno. Os anéis, inspirados em anéis clássicos são transformados com rubis em bruto. As pulseiras "When two become one", que também funcionam como colar, homenageiam a herança e o fluir do tempo, evidenciando a importância de preservar e reutilizar o antigo.

A coleção "Lua" de Catarina, inspirada na frase "I Love you to the moon and back", apresenta joias únicas, numa dualidade de texturas com base em formas geométricas. Enfatizando o minimalismo depurado apresenta "EntreLinhas", que enfatiza a elegância no vislumbre da pele entre metal. Ambas, unem estética moderna com o compromisso com a sustentabilidade.

Na "Singulares", Catarina traz à luz a essência da CNJ, combinando tradição com inovação e sustentabilidade. Cada criação vai além de mero adorno, servindo como um manifesto da sua visão artística que preza pela singularidade, pela narrativa pessoal e pela ética ambiental, capturando assim a essência progressista e consciente da sua marca.

Dörte, fundadora da ComCeito, descobriu sua vocação para a joalharia em Portugal, influenciada pela diversidade cultural de Lisboa, Açores e Alemanha. A descoberta de uma conta de vidro antiga em Évora inspirou sua abordagem artística, levando à criação da ComCeito em 2009, que agora se prepara para iniciar um novo capítulo no Minho.

As joias de vidro de Dorte, destacam-se pela sua simbologia de fé e esperança. Estas criações refletem um profundo senso de solidariedade e conforto, capturando a essência de tempos de isolamento e a universalidade do apoio humano. Cada peça serve como um lembrete tangível de que não estamos sozinhos, ancorando a promessa de que tudo melhorará.

Criações com vidros de Lauscha e Murano, exibem cores intensas, misturadas meticulosamente. Dörte criou o seu jogo matemático, refletindo sobre a longa tradição humana de jogo e diversão — elementos profundamente entrelaçados na nossa cultura — enquanto explora a ligação entre 'jocale', o latim para 'jogo', e a própria essência da palavra joalharia.

Na exposição "Singulares", Dörte demonstra que cada joia não é apenas um objeto de beleza, mas um portador de significado e uma celebração da arte da joalharia, unindo tradição e inovação. Seu trabalho mantém um diálogo constante entre o passado e o presente, ressoando com o tema da exposição de singularidade na expressão através da joalharia.

Fotografia CJLX

Apenas em Exposição - não está à venda

Eva Nunes, nascida em Santarém em 1976, cresceu imersa no universo do hacking não digital, guiada pela curiosidade instigada por seus avós. Sua trajetória é marcada pela experimentação constante de diferentes materiais, que ela habilmente transforma e funde, expressando a sua visão única através da joalharia.

A sua coleção, "EvilEve's little treasure", é uma expressão pessoal do seu alter-ego, EvilEve. Esta coleção reflete uma intersecção entre o medo e o fascínio, a familiaridade e o estranho, conjugando com o metal, os bigodes do seu animal de estimação, Edgar.

As joias de Eva transcendem a estética, tornam-se histórias pessoais materializadas. Refletindo sobre medo, segurança e imaginação, promovem uma conexão entre as vivências únicas de Eva e as emoções coletivas. Eva propõe uma reflexão profunda, guiando o público entre realidade e fantasia, estimulando a introspecção e a descoberta pessoal em harmonia com o espírito singular da exposição.

Filipe Caracol, estabelecido em Lisboa, iniciou-se na joalharia em 1978, absorvendo as técnicas artesanais em diversas oficinas e ateliers da capital. Formado em desenho pela Sociedade Nacional de Belas Artes e dotado de uma visão estética refinada, Caracol fundou seu próprio atelier em 1987, onde começou a forjar suas próprias coleções.

As joias que Caracol apresenta na exposição 'Singulares' são parte da coleção 'Cidades', inspiradas nas diversas metrópoles ao redor do mundo. Cada peça é um tributo à unicidade de cada cidade, refletindo a geografia, arquitetura e o dinamismo humano que as caracterizam.

Inspirado por cidades que variam de charmosas a cosmopolitas, esta coleção transmite a diversidade cultural e o charme único de cada local, trazendo uma perspectiva global para a joalharia contemporânea. Neste contexto, as joias de Caracol contam histórias, conectando pessoas a lugares e memórias.

Em 'Singulares', sua abordagem reflete o tema central da exposição: a viagem e a descoberta através da arte da joalharia. Caracol, propõe uma reflexão sobre como as cidades moldam nossa identidade e experiências. Assim, as suas peças tornam-se pontes entre diferentes mundos, celebrando a intersecção entre a individualidade e o ambiente urbano, entre o passado e o presente, e entre o artesão e a joalharia de autor, ressonando profundamente com o espírito da mostra 'Singulares'.

Magda Sá, formada em Química pela Universidade do Porto, transforma seu conhecimento científico em arte, criando peças de joalharia únicas que refletem uma harmoniosa fusão entre conceito e técnica. Em seu atelier, não só dá vida a joias que desafiam os limites do design tradicional, mas também cultiva o futuro da arte joalheira, organizando cursos com foco em técnicas inovadoras com artistas conceituados.

O pendente 'Camélia', inspirado no 'Enamel Art Jam', revela o entusiasmo da aprendizagem e da exploração de uma técnica tradicional da joalharia, o vidrado Cloissonné. Magda Sá explora a simetria e as formas naturais, refletindo sobre a escala humana em contraste com a imensidão cósmica. A joia evidencia uma conexão íntima entre o micro e o macro, uma elipse que liga a natureza à vastidão das galáxias.

O pendente 'Narciso', é um testemunho da beleza encontrada no inesperado, um exercício de cinzelagem que surpreendeu através da curiosidade pelo conhecimento desta técnica ancestral. Uma celebração da arte que nasce do processo, onde o excesso de material se transforma no palco para a figura de um narciso, simbolizando a descoberta da beleza na imperfeição.

Magda Sá, em busca de aperfeiçoar e aprender novas técnicas, incorporando significado e beleza, espelha o espírito da 'Singulares'. Reafirmando a joalharia de autor como um campo de expressão individual, inovação e respeito pelas tradições, tecendo, assim, uma ponte entre o antigo e o contemporâneo.

Lázaro Bonixe, formado na Escola Secundária Antônio Arroio e orientado pelo artista Valentim Quaresma, é um talento emergente na joalharia portuguesa. Com uma abordagem autodidata e inovadora, Bonixe combina a precisão geométrica com a fluidez orgânica, inspirando-se nas formas complexas da natureza e na macrofotografia de fungos, para criar peças que desafiam as convenções do seu ofício.

"Flowerbed", é uma fusão da beleza intrincada das portas ornamentadas de Valência com a elegância orgânica de um jardim florido. Esta criação em prata, simboliza a rica herança cultural e o encanto natural, traduzindo-os numa joia que reflete tanto a tradição quanto a inovação.

Bonixe apresenta um conjunto composto por um colar e uma pulseira, inspirados na forma fluida e fascinante da serpente. Estas joias celebram os movimentos graciosos e a beleza sedutora deste ser enigmático, capturando a essência do empoderamento, beleza e o ciclo eterno de renovação.

O trabalho de Bonixe ressoa com o tema central de tradição e inovação, estabelecendo uma conexão profunda entre a arte da joalharia e o mundo natural. As joias, ricas em narrativa e detalhes, convidam os espectadores a uma reflexão sobre a intersecção da cultura, natureza e identidade pessoal, refletindo assim o espírito inovador e exploratório de ‘Singualres’.

Apenas em Exposição - não está à venda

Lluís Comín Vilajosana iniciou sua jornada na joalharia em Barcelona, moldado pela herança de seu pai e aprimorado pela Escola Massana e estudos em Gemologia. Sua abordagem mescla habilidade e visão, desafiando padrões estéticos e unindo o antigo ao novo.

Nas séries 'La Montaña Mágica' e 'Ithaca', Comín evoca a natureza e mitos, traduzindo a essência das montanhas e a saga de Ulisses em joias que exploram a vida, a busca e a conexão com o universo. Demonstrando uma estética de design moderno inovando com técnicas de joalharia tradicionais.

Através de 'Reconstrucciones', Comín dialoga com o passado, tecendo camadas de tempo e memória, e em 'Perdidos', busca-se a essência da identidade e da reinvenção. Em todo o seu trabalho observa-se uma curiosidade e vontade de inovação estética explorando diferentes materiais.

Na exposição 'Singulares', as obras de Comín evocam introspecção e mudança, mesclando tradição e inovação. As coleções ressaltam a jornada pessoal e a evolução, refletindo o legado e a visão do artista. Comín une passado e presente, individualidade e universalidade, destacando a essência e a progressão da joalharia de autor.

A exposição "Singulares" celebrou a singularidade e a expressão individual através da joalharia de autor, unindo sete artesãos com visões distintas. Esta mostra não destacou apenas a habilidade individual de cada joalheiro, mas também promoveu um diálogo enriquecedor entre diversas técnicas, materiais e narrativas. Ao explorar a relação entre tradição e inovação, "Singulares" refletiu sobre a importância da autenticidade e da sustentabilidade na arte contemporânea, convidando os visitantes a uma reflexão profunda sobre a identidade, a cultura e a conexão com a natureza.